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Edição 189
17 de setembro de 2009

Saúde e Prevenção

Câncer do Endométrio: o mais comum dos cânceres femininos



Tássia Veríssimo


O ginecologista Paulo Roberto Bastos Canella, médico do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que o câncer endometrial é aquele que ocorre na mucosa uterina chamada endométrio. O câncer endometrial é o mais frequente e sua incidência vem crescendo nas duas últimas décadas. De todos os tumores da genitália feminina, 11% são do corpo uterino e destes, 90% são representados pelo também chamado câncer de endométrio.

O principal sintoma desse tipo de câncer é o sangramento uterino na pós-menopausa, aquele que ocorre passado um ano ou mais após a última menstruação. A atitude mais correta caso a paciente perceba esse tipo de sangramento é buscar orientação de um especialista. Somente ele pode diagnosticar corretamente se é um tumor ou outro problema e encaminhar a paciente ao tratamento adequado.

Em relação à forma como é diagnosticado, Paulo Canella esclarece: “O método clássico de diagnóstico é a curetagem uterina, mas hoje a histeroscopia é o método mais seguro. A suspeita vem da colpocitologia vaginal, o chamado exame preventivo. A ultrassonografia endo-vaginal e a ressonância magnética são métodos que podem ser úteis ao diagnóstico”.

O tratamento, segundo o ginecologista, é realizado através de histerectomia — a retirada do útero. Pacientes com contraindicação cirúrgica podem ser tratadas com radioterapia. Nos casos mais avançados a quimioterapia e a progestogenioterapia têm sido empregadas.

Fatores de risco e prevenção

O câncer de endométrio tem maior incidência nas mulheres entre 55 e 65 anos de idade, pois nessa fase o estrogênio estimula a ação proliferativa do endométrio sem a oposição da progesterona. Por isso, para Canella a reposição hormonal representa um risco quando são usados somente hormônios estrogênicos, sem associá-los ao uso da progesterona.

Além desse, existem outros fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de tumor, como a menopausa tardia – acima de 52 anos – anovulação crônica, obesidade, diabetes, uma dieta rica em gordura e histórico familiar de câncer de endométrio, ovário, mama ou colón.

A prevenção desse tipo de tumor costuma ser dividida em primária e secundária. A primária inclui o combate à obesidade, tratamento de ciclos anovulatórios e terapia de reposição hormonal adequada. A secundária consiste na avaliação periódica de pacientes assintomáticas de risco, ultrassonografia transvaginal na menopausa e detecção de lesões nas mulheres com sangramento uterino anormal.

Segundo Paulo Canella qualquer sangramento que apareça após ter-se instalado a menopausa deve ser motivo de consulta ao ginecologista. O médico considera que o exame periódico é o meio para a prevenção, já que permite encontrar e tratar lesões ainda iniciais.

“O câncer de endométrio é uma doença tratável e tem elevado índice de cura quando diagnosticada na fase inicial. Portanto, controlar os fatores de risco, fazer visitas periódicas ao médico e relatar qualquer sinal de sangramento anormal, principalmente após a menopausa, é o caminho adequado para o diagnóstico precoce e a cura”, aconselha o especialista.

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